terça-feira, 2 de fevereiro de 2010


Saudade:
1. Lembrança grata de pessoa ausente ou de alguma coisa de que nos vemos privados.
2. Pesar, mágoa que essa privação nos causa.
É isto a saudade.


Não, a saudade não é isto. A saudade são as lágrimas que me caem quando sinto a tua falta mais do que de qualquer pessoa no mundo, é a força que faço para continuar em frente mesmo sem ti, é o vazio que me consome todos os dias e que nunca desaparece.
Ninguém sabe, ninguém imagina.
Queria-te aqui, a meu lado, a veres-me crescer. Queria que estivesses ao meu lado para sorrires nas minhas vitórias e para me amparares nas minhas derrotas. Queria que visses a pessoa que me tornei e que tanto devo a ti.
E não me basta saber que me continuas a ver, que me continuas a apoiar. Quero-te perto, tão perto que nada substitui o vazio.
Quero o teu cheiro de volta, a tua voz, o teu abraço, o teu amor.


Quero voltar a ser a menina da avó, quero comer a tua sopa (a melhor do Mundo), quero desarrumar-te a casa toda, assustar-te com os meus bichos de plástico, quero ensinar-te a escrever, quero dormir enroscada a ti.
Quero comer batatas fritas todas as noites, comer frango todas as quartas-feiras. Quero que andes a saber de mim como o fazias.
Quero levar as minhas amigas para tua casa e ver-te tratá-las tão bem como a mim. Quero passear contigo de braço dado, quero descascar favas contigo, quero ouvir “É bom pra tudo”. Quero a vó’Rora.
Quero-te de volta…

E será que ninguém entende? Não, ninguém entende.

Nove anos, uma vida. Minha, SÓ MINHA, avó.